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Tal como foi o silêncio – [de luto e de luzes]

21/05/2025 @ 21:10 - 22:30

A minha filha ensinou-me a apreciar a dança dos rios. Passou-me isso. E quando me sento a ver um rio passar, claro, lembro-me dela, mas sinto uma certa paz. Talvez seja isso, a dança dos rios: sentir um pouco de paz de cada vez. Ou talvez a paz seja isso: uma dança de rio.

O luto é inerente à experiência humana, sendo um processo natural de adaptação às perdas.

O luto fala-nos da dor de perder algo ou alguém muito significativo para nós.

“…para mim a solidão tem sido… ainda sentir… que a ausência da minha filha me ocupa tanto espaço”.

O luto é um lugar individual e único. Morreu-nos uma pessoa, mas essa pessoa não morreu dentro de nós. Continuamos a ser mãe, filho, mulher, marido, irmão, amigo. E procuramos encontrar um novo modo de lembrar e de sentir. É uma nova relação que se estabelece com quem já perdemos. Não se trata de esquecer… trata-se de dar nova forma à ausência.

O luto também é um lugar comunitário, porque é universal e coletivo. É de todos. E, por isso, o luto pede-nos, também, que a comunidade seja a sua morada, o seu poiso e o seu abrigo, “uma janela de paz”. Que a comunidade acolha a nossa perda e luto com reverência e compaixão. Pois é na escuta das memórias que o luto ganha lugar e ganha direito a existir. Pois quem perdemos é parte integrante também da história da comunidade. Dar continuidade a esta história é, pois, garantir o direito à pertença. De quem fica e de quem parte.

Peça de teatro a partir de uma ideia original de Mariana Abranches Pinto

Texto: Ondjaki

Encenação: Lígia Roque

Cenografia e figurinos: Ana Limpinho

Música: António-Pedro

Interpretação: Daniela Vieitas

Produção: Compassio, Daniela Vieitas

Dia 21 de Maio, às 21h10

Duração: 45 minutos (seguido de conversa informal)

Local: Fórum Jovem da Maia (Tv. Cruzes do Monte 46, 4470-169 Maia)

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